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pomboUm projeto de indicação do deputado Antônio Granja causou polêmica na Assembléia Legislativa. Ele propõe um programa de controle dos pombos e alega que as aves são um problema, pois transmitem até 60 doenças O projeto apresentado sugere a criação de um órgão na Secretaria da Saúde do Estado, que possa fazer o controle das aves, principalmente no centro. Eles são o símbolo da paz, mas, ao contrário do que representam, trazem irritação a muitas pessoas por onde passam.

Além de deixarem sujeira, os pombos transmitirem uma série de doenças, como criptococoses (micose que atinge o sistema nervoso), hitoplasmose (doença infecciosa respiratória) e inflamação na pele. "É preciso tomar uma providência para tirar esses pombos daqui. Eles só trazem sujeira e doença, além de deixarem as pessoas assustadas", opina a aposentada Noemia Lopes sobre a grande população de pombos no centro de Fortaleza.

Por problemas como esses, o deputado estadual Antônio Granja (PSB) criou um projeto de indicação apresentado nesta semana na Assembléia Legislativa, que propõe ao governo a criação de um programa estadual de combate aos pombos. O assunto acabou sendo retirado da pauta pela polêmica causada no plenário, mas deve retornar à discussão posteriormente. Enquanto parte dos parlamentares apoiaram a iniciativa, outros foram contrários ao projeto. Segundo Granja, o projeto visa "racionar" o número de pombos no Ceará, já que a ave é capaz de transmitir até 60 tipos de doenças.

O deputado, que é médico e presidente da Comissão de Saúde da Assembléia, afirma que a questão dos pombos é um problema de saúde pública. "Ele é conhecido como rato voador. É necessário que exista um órgão na secretaria da Saúde que possa fazer um controle das aves, principalmente no Centro".

O pombo comum, cujo nome científico é Columba livia domestica, é uma ave exótica de origem européia, que foi introduzida no Brasil no século XVI. É uma ave urbana e vive nos grandes centros da cidade em consequência da fácil oferta de abrigos. "Eles não gostam de viver em árvores", acrescenta o veterinário Paulo Sérgio Ferreira Barbosa, do Conselho Regional de Medicina Veterinária. Paulo destaca que só existem duas formas viáveis para o controle dos pombos em Fortaleza: o sacrifício e a captura. "Arranjar um local para os capturados seria uma boa alternativa para resolver o problema".

Na Itália, o problema de superpopulação de pombos foi resolvido quando técnicos da Vigilância Sanitária colocaram junto da ração, que era dada aos animais, um tipo de anticoncepcional. Com isso, pombos não puderam se reproduzir, estabilizando, assim, o número das aves. No entanto, Paulo relata que o método é muito caro para um estado como o Ceará. "O custo de anticoncepcional sairia muito caro, num estado como o nosso, não vejo viabilidade econômica". Os pombos colocam de um a dois ovos por ninhada e podem ter de cinco a seis ninhadas ao ano, com um tempo de incubação dos ovos de 17 a 19 dias.

Para o biólogo e professor da Universidade Estadual do Ceará (UECE), Luis Gonzaga Sales Júnior, o que tem de ser feito é colocar predadores naturais como corujas, gaviões e falcões para capturar os pombos. "Dessa forma, a intervenção humana fica mais leve", explica. O biólogo é a favor de um controle racional por meio de um monitoramento. "Se você começa a sacrificar ou leva para viveiros, eles podem fugir e migrar para outros locais. O ideal é deixar a população de pombos em uma quantidade compatível com o ambiente em que estão".

Até alguns comerciantes do Centro, que lucram com a venda de milho, reclamam da grande quantidade de aves. "Incomoda um bocado, até pelo risco que a gente sofre de cair alguma coisa na nossa cabeça. Mas em compensação, eu acabo lucrando porque muita gente compra comida na minha loja para dar a eles", diz o comerciante Hélio Gomes. Os pombos são vistos em maior número nas ruas e prédios do Centro de Fortaleza. No entanto, eles estão também em outros prédios, como o da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC). As aves gostam também de construir os ninhos em casas sem forro.

FIQUE POR DENTRO

Criptococose - Micose profunda causada por uma bactéria chamada Cryptococcus neoformans , que atinge o sistema nervosos central. Sintomas: febre, tosse, dor torácica, e podendo ocorrer também dor de cabeça, sonolência, rigidez da nuca, agitação, confusão mental e acuidade visual diminuída. Modo de transmissão: através da inalação de poeira, contendo fezes de pombos, contaminadas pelo agente etiológico (Cryptococcus neoformans).

Histoplasmose - Micose profunda causada pelo Histoplasma capsulatum, que atinge o sistema respiratório. Sintomas: infecção assintomática, febre, dor torácica, tosse, mal-estar, debilidade e anemia. Modo de transmissão: através da inalação de poeira, contendo fezes de pombos, contaminadas pelo agente etiológico (Histoplasma capsulatum). Essa doença é chamada de doença oportunista, pois o indivíduo pode ou não desenvolvê-la dependendo do seu estado de saúde.

Ornitose - Doença infecciosa aguda, cujo agente etiológico, chamado de Chlamydophila psittaci  , atinge o sistema respiratório superior e inferior. Sintomas: febre, cefaléia, mialgia (dores musculares), calafrios e tosse. Modo de transmissão: pela inalação de poeira, contendo fezes de pombos, contaminadas pelo agente etiológico (Chlamydophila psittaci ).

Salmonelose - Doença infecciosa aguda, cujo agente etiológico Salmonela typhimurium atinge o sistema digestivo. Sintomas: febre, diarréia, vômitos e dor irregular. Modo de transmissão: pela ingestão de alimentos contaminados com fezes de pombos, contendo o agente etiológico.

Dermatite - Inflamação na pele provocadas pela presença de ectoparasitas (ácaros) na pele. Eles são proveniente das aves, ou de seus ninhos. 


EVITE DOENÇAS

Na limpeza de forros, calhas ou qualquer outro local que apresente fezes, restos de ninhos, ovos e penas, usar sempre luvas e utilizar sempre uma máscara ou pano úmido sobre o nariz e a boca. - Nunca remover a sujeira a seco, deve-se sempre umedecê-la antes, para evitar a inalação de poeira. - Proteger os alimentos do acesso das aves.

CONTROLE

Uma forma de controle pode ser a educativa que se baseia na orientação da população das cidades, alertando-a para que evite alimentar os pombos, pois tal hábito acarreta aumento exagerado do número de aves, com maior risco de transmissão de doenças e danos ambientais. Recomenda-se também evitar deixar restos de alimentos à disposição das aves, bem como manter o lixo acondicionado em sacos plásticos bem fechados. Essas medidas favorecem o controle do número de pombos: a diminuição de alimentos acarreta um menor número de ovos e filhotes.