O que é importante saber e que é muitas vezes esquecido por aqueles que trabalham com a madeira, como arquitetos, engenheiros e até mesmo os “descupinizadores”, é que a origem da madeira é a árvore e portanto um produto produzido pela natureza. Isto significa que muitas características próprias deste material fogem do controle do homem, que não pode fabricar este material da forma que ele desejaria. Além das matas nativas, a madeira pode ser obtida através de reflorestamento com muitas vantagens, sendo uma parte fundamental do chamado “desenvolvimento limpo”.
Como a madeira é de origem biológica, ela está sujeita à deterioração. Existem vários agentes responsáveis por isso: os físicos, representados pelos raios ultravioletas, pelo fogo e pela abrasão etc; os químicos, como poluição (ácidos, por exemplo) e os biológicos. É a este último grupo que o mercado de controle de pragas está diretamente relacionado, além do que é o que está principalmente ligado à deterioração da madeira. Dentro dele existem os insetos (brocas e cupins), fungos (emboloradores, manchadores e apodrecedores) e os organismos marinhos. As brocas e os cupins são as pragas que mais danos causam aos imóveis, sendo esta a razão pela qual o controlador de pragas deve conhecer bem esses insetos e saber controlá-los.
Recursos naturais
Muitos ainda mantêm uma atitude conservadora, acreditando que proteger uma construção do ataque de cupins reside simplesmente na utilização de madeiras resistentes. Se ao invés disso, as pessoas passassem a adquirir madeiras devidamente tratadas estariam contribuindo imensamente para reduzir a pressão sobre a exploração das florestas nativas. Isso porque as madeiras nativas são consideradas um recurso natural renovável de ciclo extremamente longo. Podemos utilizar como exemplo uma árvore de Ipê, que para produzir madeira para construção leva cerca de 80 até mais de 100 anos. Mesmo assim o seu aproveitamento é muito baixo e não existem técnicas conhecidas de reflorestamento que possam repor esta árvore em um curto espaço de tempo. Por outro lado é bom saber que o Brasil é reconhecidamente desenvolvido em técnicas de reflorestamento. Hoje, nosso país possui uma das maiores áreas reflorestadas do mundo, que podem suprir grandes centros comerciais com eucaliptos e pinus. Se tais madeiras receberem o devido tratamento e forem utilizadas, por exemplo, na área de construção civil, durarão tanto quanto as madeiras nativas, tendo uma vantagem adicional. Por serem cultivadas e de ciclo curto, estarão sempre disponíveis.Para aumentar a durabilidade deste material existe uma técnica chamada preservação de madeira, que tem como objetivo aumentar a vida útil de uma peça em serviço ao máximo economicamente possível, com segurança, eficácia e a baixo custo. Isso porque existem vários processos de aplicação de diversos produtos destinados a proteger a madeira. É claro que a escolha da técnica e do material a ser utilizado depende sempre da condição que a madeira vai ser ou está sendo utilizada. O importante é visualizar o risco a que a madeira será submetida. Se esta estiver em contato com o solo, está em condição de risco biológico muito maior que uma peça utilizada em ambiente interno, fora do contato com o solo e das intempéries. Na primeira situação, o ideal é que receba um tratamento industrial, que é realizado em Usinas de Preservação de Madeira (UPM). Trata-se de uma unidade dotada de equipamentos especiais que irão fazer com que os produtos sejam introduzidos nas camadas mais profundas da madeira, numa quantidade exata, de acordo com normas brasileiras, para que ela possa durar muito mais.
Existem também tratamentos que não são industriais, como pincelamento, injeção, pulverização, etc. Estes são utilizados mais em situações de baixo risco biológico.
Para aumentar a resistência biológica da madeira, existem, no mercado, produtos muito eficientes à base de óleo e de água. A escolha deles deve ser orientada pelos fabricantes, que devem estar aptos para orientar, tanto em tratamentos preventivos como nos curativos, mas sempre levando em consideração risco a que a madeira está submetida.
É muito importante então, ter conhecimento que dentro de uma edificação sempre nos deparamos com várias situações que impõem à madeira diversos níveis de risco. Não existe uma solução única. Por exemplo, se uma madeira está exposta a uma fonte de umidade, ela deve receber um tratamento que controle a proliferação de insetos e fungos, e que ao mesmo tempo tenha, se possível, características de hidrorepelência, ou seja, de evitar a absorção de água.
O médico da casa
É sempre bom que o desinsetizador, quando está inspecionando uma casa com problemas de insetos deterioradores de madeira, tenha em mente que ele é o médico desta edificação e que ele deve examiná-la minuciosamente, interna e externamente, ou seja, ele tem de verificar, literalmente, do porão ao teto, as cercanias e até mesmo entrevistar o proprietário e, se possível, com a vizinhança, sem deixar, é claro, de observar os detalhes construtivos. Ver se tem madeira próxima ou sujeita à umidade, problemas de infiltrações, se existe ataque por cupins e/ou brocas, determinando as localizações e a intensidade dos ataques.A partir deste momento é que se pode definir os tratamentos a serem executados de forma a controlar a infestação observada e se prevenir contra novas infestações. É importante que se tenha em mente que o principal é combater as causas e não apenas os efeitos.
No aspecto preventivo, em regiões como São Paulo, Rio de janeiro, Salvador, Recife etc. Que são grandes centros urbanos com alto índice de infestação de cupins, engenheiros e arquitetos devem especificar o tratamento contra cupins de solo já no projeto da obra, pois esta será uma garantia para que o consumidor não tenha os problemas inerentes às infestações por cupins de solo que tantos contratempos causam à população. Aqui, como nos Estados Unidos, é muito difundida a técnica de barreiras químicas para evitar o acesso de cupins subterrâneos. Em outros países mais avançados foram desenvolvidas algumas barreiras físicas, que devido ao alto custo de utilização ainda são inviáveis no Brasil.
Isso é suficiente? Não, pois se deve atacar o problema por todos os lados. É recomendável então, usar, sempre que possível, a madeira devidamente tratada . Se estiver em contato com o solo, a madeira deverá ser tratada em autoclave, ou seja em Usina de Preservação de Madeira, visando uma proteção, principalmente, contra fungos apodrecedores. Se for madeira usada em situação de menor agressividade, fora do contato com o solo e apenas com risco de ataque por insetos, o tratamento poderá ser tópico, ou seja, por meio de imersão, pincelamento, pulverização etc.
A prevenção contra cupins é um conjunto de medidas que começam na análise do detalhe construtivo e vai até a definição dos tratamentos a ser executados, nunca se esquecendo das condições em que a madeira está sendo usada. O brasileiro ainda não tem o costume de agir preventivamente, porém, com a disseminação de informações técnicas, com a escassez e com o alto custo da madeira e com o rigor da lei do consumidor prevê-se que em um futuro próximo haverá uma mudança de cultura e que o consumidor de uma forma geral exigirá mais qualidade dos bens que está adquirindo e, isto consequentemente, fará com que os imóveis sejam tratados preventivamente contra cupins.
Autores do texto : Flávio Carlos Geraldo e Ennio Silva Lepage


















































































































































